terça-feira, 18 de setembro de 2012

Problemas com carrapatos? Conheça seu inimigo e aprenda como derrotá-lo.

Seja pelo risco de doenças, pela anemia ou pela irritação que causam na pele do animal, quem tem ou teve cão, já padeceu para combater infestação por carrapatos alguma vez. As tentativas são frequentes e demandam mais tempo, esforço e custo do que se gostaria. E no fim, sobra o desespero, quando não se tem a estratégia adequada. A proposta aqui é simples: entender como traçar uma estratégia eficaz de prevenção aos carrapatos. 

Mas antes de qualquer coisa, vale um aviso: esse texto não contém uma “receita de bolo” nem um protocolo pronto para você. A consulta ao médico veterinário que conhece seu animal é imprescindível na orientação da escolha dos muitos produtos disponíveis no mercado. A intenção aqui é tentar explicar porque tem sido tão difícil se livrar dos carrapatos. 

A primeira questão importante é: o que se conhece desse inimigo? 




Carrapatos são artrópodes, classificados na mesma classe das aranhas (Arachnida) e alimentam-se de sangue. 

Permanecem no hospedeiro durante praticamente toda a sua vida, indo ao ambiente apenas na hora de colocar os ovos e mudar de fase.

Cada fêmea é capaz de colocar de duzentos a três mil ovos no ambiente. Muitos dos quais, na natureza, acabam sofrendo a influência do meio (excesso ou falta de umidade, luz solar, temperatura, tipo de solo) ou fazendo parte da cadeia alimentar natural, sendo ingeridos por outros artrópodes e aves, de forma que apenas alguns poucos sobrevivem e conseguem alcançar o hospedeiro.

Quanto mais quente o clima, mais estímulo à procriação dos carrapatos. Por isso em locais como o Rio de Janeiro é tão comum haver infestação por carrapatos durante praticamente o ano todo. Em áreas de clima mais ameno, como o sul do país, é com a chegada do verão que torna-se indispensável o controle e a prevenção desses aracnídeos. 

Se o cão vive em área rural ou em sítio, sem contato com o interior da casa e sem “casinha” de cachorro, ele pode ser parasitado pelo carrapato-estrela (Amblyomma sp), que além do cão, também pode parasitar o homem e transmitir a ambos, várias doenças infecciosas, como a febre maculosa, que pode ser fatal quando não medicada. Esse texto não se refere ao Amblyomma sp, mas ao carrapato urbano, o Rhipicephallus sanguineus, que parasita o cão da cidade, ou cão morador de área urbana, seja apartamento ou casa, com ou sem acesso à rua. 


Enquanto o carrapato rural necessita de ambiente rico em umidade (mais de 95%), o Rhipicephallus sanguineus sobrevive com umidade de até 70%. Por isso, ambientes revestidos de plástico, madeira, metal e cimento são seu habitat mais favorável. 

Antes de escolher a melhor estratégia de controle desse parasita, observe as afirmações abaixo, sobre o Rhipicephallus sanguineus
- Não voa! 
- Não parasita as aves! 
- Não parasita o ser humano! 
- Diferente das pulgas, esse carrapato só sai do hospedeiro (cão) para a oviposição e ecdise (mudança de estágio evolutivo). 
- A larva já sai do ovo com fome e procura o hospedeiro imediatamente, movendo-se sempre para o alto. 
- Sua saliva pode passar doenças para o cão, como erlichiose, rangeliose e babesiose, que se não tratadas podem ser fatais. E o animal não precisa estar infestado para isso! Apenas um carrapato já é capaz de transmitir essas doenças, se estiver contaminado, ou seja, se tiver picado outro animal doente. Se a fêmea estiver contaminada, seus 3.000 ovos também estarão. 
- Instintivamente, esse aracnídeo sobe e procura abrigo nas frestas de paredes e muros e pode estar numa caixa de papelão ou em algum eletrodoméstico (como máquina de lavar roupa, se o cão dorme na lavanderia, por exemplo). 
- Não fica em tapetes ou em frestas do chão! 
- Na grande maioria das vezes, fica próximo de onde o cão dorme! 
- Locais mais comuns dentro de casa: embaixo da cama, embaixo do sofá, embaixo de armários e da mesa de centro da sala, dentro das frestas das paredes e muros, atrás de quadros e da moldura do ar condicionado, entre o teto e a parede... 
- Ele pode chegar à sua casa de três formas: caminhando (vem pelas paredes ou muros), com o cão (ao passear) e "de carona" com objetos (móveis, casinha ou caixa de transporte do cão, eletrodomésticos,  sapato ou roupa de quem entra na casa). 
- É possível e comum trazer carrapatos na sola do sapato ou na roupa, ao passar na calçada ou encostar em algo no caminho para casa. 
- Importante: o cão não pega esse carrapato ao passear na grama, mas quando se esfrega no muro ou anda na calçada ou dentro de caixa de transporte que outros cães usam! 
- O carrapato que passa andando na parede vai mostrar onde é o esconderijo dos outros. Basta acompanhar o seu trajeto. 
- Cão de quintal gramado, sítio ou de área rural só é infestado pelo carrapato urbano quando tem casinha. Se dormir na grama, a umidade do solo não permite que sobreviva.
- É difícil demais descobrir de onde pegou. A fêmea leva vinte a trinta dias fazendo postura no ambiente e a larvas nascem cerca de um mês depois. Isso significa que o carrapato achado agora no cão pode estar na casa há pelo menos um ou dois meses! 

Agora sim, conhecendo mais o inimigo, é possível entender melhor as possíveis estratégias. Para ajudar mais, segue abaixo a lista do que não fazer e a sua explicação.

1) Tratamento curativo, ou seja, usar os carrapaticidas durante a infestação, não adianta de quase nada. Se o plano for esperar ver os carrapatos para tomar uma providência, além de arriscar a saúde do cão, a chance de insucesso no controle da infestação é grande, já que o parasita está muito bem adaptado ao habitat pouco úmido e urbano, à sua casa. 

2) Tratamento com xampus e sabonetes antiparasitários não é eficaz. Não há efeito residual protetor após o enxague do produto. Isso quer dizer que somente matam os carrapatos que estão no animal no momento do banho. Nunca devem ser utilizados como estratégia única. 

3) Tratamento com coleiras antiparasitárias é inútil se o cão é banhado a cada quinze dias, sete dias ou mais frequente que isso. O produto ativo da coleira espalha-se na superfície da pele e demora cerca de vinte dias para atingir concentração suficiente para o máximo efeito descrito na embalagem. As coleiras não agem no ambiente e por isso só são eficazes para cães que não necessitam de banho e quando associadas a um controle ambiental simultâneo. 

 4) Antiparasitários de depósito (produtos em spray ou top spot, de uso mensal) somente agem no cão. Diferente dos xampus e sabonetes, seu efeito residual é longo, mas não agem no ambiente contra carrapatos. Além disso, a absorção e a distribuição da substância ativa podem ser muito afetadas em  animais com pele inflamada (seborreia, alergia, dermatites), reduzindo  a duração de ação e a eficácia do produto. 

 5) Carrapaticidas ambientais: podem ser tóxicos para os animais e para a sua família. Devem ser utilizados com as proteções adequadas para evitar contato com a pele, olhos e narinas. São eficazes no controle ambiental somente quando aplicados nos locais onde os carrapatos estão. Isso quer dizer que lavar o chão da casa ou o quintal com esses produtos de nada adianta! A aplicação em locais não cobertos deve ser repetida sempre que chover, já que esses produtos misturam-se facilmente com água. Ainda que sejam usados de forma adequada, não agem no animal e basta um carrapato conseguir parasitar o cão para recomeçar todo o ciclo de vida com mais muitos milhares de ovos no ambiente de novo. 

Para concluir, além de entender o que não fazer, é preciso passar a aplicar o mesmo conceito que se usa para as vacinações anuais, em que não se espera ocorrer a doença para vacinar. É necessário instituir a prevenção e não mais apenas o combate aos carrapatos! 

Assim, pode-se afirmar que a melhor estratégia no controle das infestações por carrapatos deve incluir o uso periódico e frequente de uma combinação de produtos que atuem no cão e também no ambiente, durante toda a vida do animal.

Por fim, a escolha do melhor protocolo terapêutico, dentre os vários produtos existentes no mercado brasileiro, deve ser feita com o seu médico veterinário, levando em conta fatores como o número de animais, o ambiente, o bairro onde vive, o grau de exposição, o estado geral da saúde dos cães, a idade e também o orçamento disponível. 
Seja ela qual for, a fórmula mágica para evitar o desconforto das picadas, o risco de anemia e doenças infecciosas pelo carrapato vermelho do cão é sempre trabalhosa, custosa e pode variar, mas é a única chance de sucesso no controle dos carrapatos.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Dicas de banho - parte 3

Vc sabe dar banho no seu pet? Não adianta comprar o xampu certo se vc não sabe como usar!

Não é possível esgotar o assunto neste pequeno texto. A idéia aqui é evitar erros grosseiros que comprometam a eficiência do tratamento prescrito. As dicas abaixo valem para animais com ou sem problemas dermatológicos.

4) Frequência dos banhos:
O cão normal é capaz de se adaptar à freqüência semanal imposta pela maioria dos proprietários de área urbana. É só usar produtos adequados. Há raças que não têm muito cheiro na pele e por isso não necessitam de tanto banho (Chow Chow, Akita). Nesses casos, só a escovação basta e o banho pode ser dado com intervalos de até dois meses. Mas quando há doenças de pele, muitas vezes são necessários vários banhos por mês para controlar e tratar a situação. Siga a prescrição à risca e se tiver dificuldade em cumprir os prazos solicitados, entre em contato com o veterinário que prescreveu e pergunte como proceder.


5) Pelagem embolada – que fazer?

O banho em geral inclui molhar e jogar o xampu no dorso do cão, sair esfregando tudo e no final sentir aquela vontade de sair correndo pra bem longe só pra não ter que pentear aquele “nó gigante que balança o rabo”... 
Para evitar que a pelagem embole, é necessária escovação frequente com pente ou escova adequada ao tipo de fio, para não quebrar. Um bom tosador é o profissional mais indicado para orientar qual a melhor escova e qual a frequência de escovação ideal para cada “penteado” (o comprimento da pelagem interfere nessa decisão).
Importante: Se você não tem tempo para cuidar adequadamente, mantenha a pelagem curta e no frio, recorra aos agasalhos e roupinhas.

No entanto, se alguns nós se formarem, o indicado é molhar os fios, usar fluido desembaraçador (à venda em pet shops) e com pente ou escova próprios, delicadamente desfazer o que conseguir. Só use o xampu de limpeza quando estiver satisfeito com o resultado e proceda ao banho normalmente.

6) Secador: herói ou vilão?

Você sabe a diferença de secador e soprador? A diferença é basicamente a temperatura e velocidade do ar que eles jogam de encontro à pele e ambos podem ser heróis ou vilões. Veja por que: secar a pelagem por convecção, ou uso de vento, causa ressecamento da pele, que será maior de acordo com a temperatura utilizada. Nesse caso, vale a mesma orientação da água do banho: evitar os extremos de temperatura, seja pelo conforto ou pelo menor risco de danos.
A regra para evitar seborreia por queimadura ou prurido por ressecamento excessivo da pele é manter ar frio ou pouco quente e pelo menor tempo possível sobre a pele.

7) Secar o pelo só com toalha causa micose?

Jamais! O excesso de água na pele causa o seu “amolecimento” ou maceração e isso facilita a piodermite bacteriana. Os fungos que acometem os cães e gatos são diferentes dos que crescem no pão e nos alimentos úmidos! Por isso, a piadinha: “Seu animal não é pão Plus Vita: não mofa se molhar!”.
Nos cães e gatos com dermatopatias, quanto menor o uso de secador e soprador melhor para a pele. Nesses casos, somente a toalha faz maravilhas.



8) Sobre a diluição dos produtos do banho:

- Quanto mais diluir, menos espuma faz, mas não necessariamente limpa menos com menos espuma. É só manter a diluição recomendada pelo fabricante.

- O segundo xampu é o de acordo com a pelagem ou o terapêutico. Deve ficar agindo por alguns minutos antes de enxaguar para melhor resultado.

- Diluir um pouco mais o condicionador em raças como o Poodle e o Bichon Frisé para não perder volume.

- Não deixar a diluição pronta por mais de 3 dias para evitar risco de contaminação co bactérias e fungos e desestabilização dos componentes da fórmula. De preferência, diluir a quantidade certa logo antes do banho.

Dicas de banho - parte 2

Vc sabe dar banho no seu pet? Não adianta comprar o xampu certo se vc não sabe como usar!

Não é possível esgotar o assunto neste pequeno texto. A idéia aqui é evitar erros grosseiros que comprometam a eficiência do tratamento prescrito. As dicas abaixo valem para animais com ou sem problemas dermatológicos.


1) Sabão de coco- posso usar?
Ele é tão alcalino que destrói a parte interna da fibra capilar. É difícil e trabalhoso recuperar o brilho depois. Evite o uso se quiser pelagem bonita e quando houver problemas dermatológicos.

2) Banho no Box do banheiro - sim ou não?
Se o seu animal está adaptado ao banho de chuveiro, não há nada mais prático. No entanto, para aqueles que não toleram o banho no box, é importante lembrar que ele é um local fechado e abafado, e o chuveiro é bem barulhento. E isso pode ser suficiente para estressar e agitar o cão ou o gato durante o banho. Troque para local abrigado do vento e pouco escorregadio (se necessário, coloque um tapete de borracha do tamanho do animal, para dar estabilidade). Com alguma adaptação, a rotina do banho talvez passe a ser prazerosa para ambos.

3) Água fria ou água quente?

Banho deve ser relaxante e para isso, evite os extremos de temperatura. Muito quente e muito frio irritam a pele e levam à liberação de histamina, causadora de prurido/coceira, além de ser desconfortável. Uma boa estratégia é encher um balde (o tamanho vai variar de acordo com o animal) com água fria da torneira e temperar com água bem quente até obter o “morno” desejado. Deixe à mão um pote plástico (pote de sorvete ou similar) para aos poucos ir enchendo no balde e molhando o animal. Isso não faz barulho e permite bom controle da temperatura e quantidade de água.

Não esqueça de fechar a porta do local ou prender a coleira e a guia do cão, se achar que ele vai sair correndo ensaboado pela casa...

Dicas de banho - parte 1

Vc sabe dar banho no seu pet? Não adianta comprar o xampu certo se vc não sabe como usar!

Não é possível esgotar o assunto neste pequeno texto. A idéia aqui é evitar erros grosseiros que comprometam a eficiência do tratamento prescrito. As dicas abaixo valem para animais com ou sem problemas dermatológicos.

Que produtos usar?
A escolha do produto é essencial. Vc deve levar em conta a idade, o ambiente em que vive, a cor e o tipo de pelagem e a frequência dos banhos na hora de escolher. Para uma pelagem bonita e saudável, vc vai precisar de pelo menos três produtos:
1- xampu ou sabonete de limpeza
2- xampu adequado ao tipo de pelo (os terapêuticos são desse grupo, levar em conta a cor, o comprimento e o tipo de pelagem).
3- Condicionador- é ele quem confere brilho e maciez após o banho. Muitas vezes é responsável pela hidratação da pele após o uso do xampu terapêutico.

Já existem xampus do tipo “dois em um” (com condicionador) para facilitar a tarefa de banhar seu animal.

Como banhar seu animal – passo-a-passo:
1- Molhar e desembaraçar.
2- Limpeza: Aplicar o xampu ou sabonete de limpeza sempre diluído de acordo com a indicação da embalagem (se não tiver indicação, utilize partes iguais com água num frasco pequeno à parte) e espalhar pelo corpo sem esfregar. Enxague abundantemente.
3- Tratamento: Aplicar o xampu de tratamento (terapêutico, para pelagem preta, ou clareador, para filhotes...), também diluído de acordo com a orientação do fabricante, espalhar massageando, sem esquecer a parte de baixo do corpo, os dedos e a cauda. Deixar agira por dez a vinte minutos – nos dias de inverno, vale enrolar uma toalha sobre o corpo, evitando golpes de ar e desconforto por sentir frio enquanto espera o produto agir. Enxaguar sem esfregar.
4- Hidratação e condicionamento: Retirar o excesso de água dos pelos, passando as mãos do pescoço até a cauda e de cima pra baixo. Só então aplicar o condicionador (também diluído) em todo o corpo (não esquecer a parte de baixo!) e enxaguar levemente.
5- Secagem: Retirar o excesso de água com as mãos novamente e secar com toalha felpuda sem esfregar para não embaraçar ou quebrar os fios.
6- Acabamento: Para dar mais brilho, use um reparador de pontas próprio para animais, nos fios longos – pergunte a um bom tosador o quê e quando usar.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Foliculite

O que é Foliculite?
Para entender melhor, leia o texto anterior, sobre Piodermite.                    

Se você já fez isso, saiba que a Foliculite é um tipo de Piodermite, em que a estrutura da pele afetada é o folículo piloso, ou seja, a parte responsável pela formação do pelo, na camada mediana da pele, como mostra a figura ao lado:




Entenda o que acontece na Foliculite para saber como prevenir:
Da mesma forma que as Piodermites, a Foliculite não é contagiosa. Pode ser causada por bactérias e outros micro-organismos, mas na grande maioria das vezes, os estafilococos são os responsáveis pelo problema.

Uma vez dentro do folículo piloso, a bactéria produz substâncias irritantes, que geram destruição dos tecidos e inflamação, ou seja, dor e produção de pus, com a chegada das células de defesa ao local afetado.

O pus formado seca na superfície da pele, formando uma crosta geralmente amarelada (a cor depende do tipo de bactéria envolvida) e aderida aos pelos, que caem junto com ela ao ser retirada.

Essa dermatite é oportunista, ou seja, seu animal não pegou nem transmitirá Foliculite aos outros. É preciso haver um fator que favoreça a entrada dos micro-organismos e a instalação do problema na pele. Dentre tais fatores, destacam-se como principais causas de Foliculite, a seborreia, a atopia e a infestação pela sarna Demodex sp. (Leia mais sobre cada um nos outros textos, neste blog).

Como saber se meu animal tem Foliculite?
Desconfie sempre que achar crostas amarelas e falha de pelo. Isso mesmo: não é só micose* que pode deixar o seu animal com áreas sem pelos no corpo!
Além disso, é comum o prurido (ou coceira) e vermelhidão na pele.

Como tratar a Foliculite do meu gato/ cão?
Como o micro-organismo invasor está dentro dos folículos pilosos lá dentro da pele, onde nenhum xampu ou pomada ou creme (usados na superfície) conseguirão alcançar a fonte do problema. Esse tipo de alteração de pele só será resolvido com tratamento de dentro para fora, com medicações específicas para cada caso e por tempo prolongado.

Se meu animal já melhorou, por que tenho que voltar ao consultório no final do tratamento da Foliculite¿
A reavaliação da pele do paciente após o episódio de Foliculite é imprescindível quando está sendo feita a pesquisa diagnóstica. Isto significa que a causa dessa piodermite oportunista só poderá ser avaliada e devidamente prevenida com a avaliação da pele no final do tratamento, de preferência ainda usando as medicações prescritas. Só então será possível determinar o por quê do problema. Então, não deixe de fazer as medicações pelo prazo prescrito e muito menos de retornar ao consultório no final do tratamento!


*Para mais informações sobre micose, leia os textos anteriores sobre o tema.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Piodermites

O que é Piodermite?
Toda infecção da pele causada por bactérias é uma Piodermite. No cão e no gato, em geral, a piodermite é causada por Staphyloccocus e pode ser superficial ou profunda, dependendo da camada de pele afetada.

Piodermite pega?
Antes de qualquer coisa, saiba que na pele do seu cão ou gato existem muitos micro-organismos. Quando a barreira natural de proteção da pele é vencida por algum motivo (e existem muitos), esses micro-organismos invadem alguma camada da pele e causam infecção. Então a piodermite do cão e do gato não é uma condição contagiosa para outras pessoas ou animais.

Piodermite dói?
Quanto mais profunda a camada da pele afetada, maior o incômodo causado pela piodermite. Assim, o desconforto pode variar desde uma leve coceirinha no local da infecção até dor constante e severa (no caso das Piodermites profundas).


Por que meu animal tem Piodermite?

Porque as barreiras naturais de defesa da pele falharam e permitiram que as bactérias presentes na superfície penetrassem e causassem lesão. Lembre-se: seu animal não “pegou” Piodermite da toalha da tosa e nem por ter ido passear na calçada no último domingo! As bactérias já estavam lá na pele dele.


Por que a Piodermite no meu animal sempre aparece de novo quando acaba o tratamento?

Isso nem sempre acontece, mas se seu cão ou gato apresenta Piodermite com frequência, é preciso encontrar a causa predisponente para essa condição, ou seja, determinar em conjunto com um médico veterinário qual ou quais barreiras da pele do seu animal não estão funcionando propriamente. Isso é feito através de exames laboratoriais, tratamento e observação. Só então é possível tomar as providências necessárias para corrigir as falhas ou prevenir as recidivas do quadro.

Meu animal é atópico* e está com Piodermite. Devo me preocupar?
Sempre! O traumatismo causado na pele quando o animal se esfrega em algum lugar ou se coça é suficiente para ferir a pele e deixar passar muitas bactérias da superfície para as camadas mais internas da pele. Por isso é tão comum a incidência de piodermites nos animais alérgicos (já que se coçam com mais frequência que os não alérgicos).
Além disso, o paciente atópico pode ter alergia às toxinas produzidas pelas bactérias que conseguiram entrar na pele. Nesse caso, o paciente desestabiliza, entrando em crise de coceira, produzindo mais lesões e mais coceira (ciclo vicioso e agravante).

Como prevenir a Piodermite recidivante¿
Não há “receita de bolo”. Tudo depende da causa das recidivas. O tratamento costuma ser longo e inclui medicamentos e medidas para controlar a causa de base, como, por exemplo, o controle da coceira no caso dos alérgicos ou do excesso de oleosidade nos animais seborreicos.
Então, se o seu animal tem Piodermite com frequência, não deixe de seguir à risca as orientações do médico veterinário e não deixe de marcar uma reavaliação no final do tratamento, para que o profissional possa investigar as causas do problema e indicar a melhor forma de evitar as recidivas.

*Para mais informações sobre atopia, leia os textos anteriores sobre o tema.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Demodex- Saiba mais sobre a sarna que não coça.

 1) O que é?
Cortesia do Dr. Paulo Diniz
 A pele do cão tem inúmeros habitantes microscópicos, assim como a nossa pele. Um dos habitantes presentes em todos os cães é a Demodex, uma sarna, da família dos ácaros e dos carrapatos. Veja como ela é  na foto ao lado:


2) Como ela veio parar no meu cão?
Todo cão nasce sem a sarna e adquire, por contato, diretamente da sua mãe, a partir das primeiras horas de vida, já durante a amamentação. Isso quer dizer que todo cão sadio tem algumas sarnas desse tipo na pele. Não é necessário trocar a toalha de banho, a cama e nem tomar cuidado com o ambiente freqüentado pelo animal para evitar que ele “pegue” a sarna demodécica.

3) Demodex passa para meus filhos ou para outros animais da casa?
Essa sarna é específica de cães. Isso significa que não é transmissível para outras espécies e já que todo cão tem a sua, não é considerada transmissível entre os cães de mesmo ambiente também.

4) O que ela faz na pele do meu cão?
A Demodex vive dentro do folículo do pelo, dentro da pele, expulsando o pelo daquele local onde ela está sem causar dor, coceira ou qualquer problema. Por causa disso, se você olhar seu cão agora, não vai perceber quais pelos caíram por causa dela. Isso é normal!

5) Essa sarna pode causar problemas ao meu cão?
Sim, quando há queda de imunidade ou enfraquecimento do animal por qualquer motivo, sendo as causas mais comuns: o uso de corticóides (medicações imunossupressoras) e as doenças debilitantes. Na presença de um desses fatores, a sarna, que antes parasitava apenas alguns folículos pilosos, começa a se multiplicar e parasitar inúmeros folículos, causando queda intensa e áreas visíveis de rarefação dos pelos no animal. Importante ressaltar que até este momento seu animal apresenta alterações de pele visíveis, mas não sente coceira nem qualquer desconforto, como na foto ao lado:  
 

No entanto, quando a sarna deixa um folículo em busca de outro, esse folículo abandonado passa a ser um furo microscópico na pele, quase que um convite às bactérias moradoras da superfície cutânea. Assim, a falha dos pelos que antes não coçava, passa a apresentar vermelhidão e crostas amareladas devido à invasão bacteriana da pele nesses locais fragilizados. Isso é a foliculite, que coça e incomoda muito o seu animal e é o mais comum problema que a presença da sarna Demodex pode causar. Repare as crostas formadas na lesão ao lado:

Se não tratada, a foliculite pode agravar e tornar-se uma infecção de pele profunda e purulenta (furunculose), que dói bastante, pode atrair moscas, causando o risco de miíase (bicheira) e deixar cicatrizes na pele ou sequelas para o animal.


6) Quando Cruzar ou Castrar meu animal se ele tem ou teve essa sarna?
A castração é uma precaução não para o seu animal, mas para os filhotes dele, já que a demodicidose generalizada tem caráter genético. A recomendação atual é castrar todos os animais com demodicidose generalizada juvenil diagnosticadas realmente (tem que achar com exames laboratoriais – apenas a suspeita clínica não é suficiente), para evitar que essa tendência genética passe para as gerações futuras.
No entanto, nos casos de demodicidose localizada juvenil, a recomendação é tratar e acompanhar com exames periódicos até a possibilidade de tendência à forma generalizada ser descartada. Os pesquisadores concluíram que a forma localizada não tem transmissão genética, não oferecendo risco aos filhotes e por isso, não sendo necessária a castração do animal.

7) Meu cão ficou idoso e só agora apresentou a sarna Demodécica. Devo me preocupar?
Sim. Se o médico veterinário propôs esse diagnóstico baseado em exames laboratoriais em um cão com mais de 6 anos de idade, isso pode ser grave.
A demodicidose em adultos pode preceder uma doença grave em até 12 meses.
Peça ao seu médico veterinário que, além de tratar os sintomas da sarna, oriente sobre uma detalhada pesquisa de possíveis causas, como doenças endócrinas, insuficiência de algum órgão, como coração e rins, ou doenças neoplásicas (câncer) durante os próximos meses.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Criocirurgia

- O que é:

Consiste na utilização de um composto químico (geralmente nitrogênio) a reduzidas temperaturas (até 185ºC), causando morte celular por congelamento.

- Quando é indicada para cães e gatos:
Nas lesões em locais como gengiva, ponta de nariz, perto dos olhos, orelhas e outras áreas de difícil acesso com a técnica cirúrgica convencional.
Nas neoplasias, principalmente: melanoma, carcinoma, fibrossarcoma, papiloma, tumores de células basais, histiocitomas, tricoepiteliomas, adenomas, adenocarcinomas, entre outras.

- Como é o pós-operatório da Criocirurgia:
É necessária limpeza diária da lesão cirúrgica até que o veterinário dê alta ao paciente, o que pode levar de 3 a 6 semanas, dependendo da extensão e profundidade das lesões tratadas. Por isso, o animal deve ser colaborativo e dócil, sob pena de infecção, miíase (bicheira) e agravamento do quadro.

- Como é feita a Criocirurgia:
Essa técnica cirúrgica é bastante rápida (dura minutos), relativamente dolorosa e, dependendo do local, deve ser realizada com anestesia local acompanhada ou não de sedação ou anestesia geral para que o animal não se mexa e não sinta o procedimento.

- Desvantagens:
Não é uma técnica milagrosa! Se a cirurgia convencional não resolveria, provavelmente não há indicação para a criocirurgia nesse caso também.
Há lesões irressecáveis, ou seja, cuja retirada é incompatível com a vida do animal. E há casos em que o paciente não tolera o procedimento anestésico ou a exigência cicatricial e inflamatória do pós-operatório e, nesses casos, a criocirurgia não é indicada.

- Vantagens da Criocirurgia:
É um procedimento pouco invasivo e pouco demorado.
O processo inflamatório gerado após o congelamento das células é capaz de induzir grande produção de anticorpos contra as células afetadas (resposta imune específica), ajudando a prevenir as metástases, nos casos de tumores malignos.
Muito útil nas neoplasias e lesões de pele de difícil ressecção pelas técnicas cirúrgicas convencionais.

Câncer de pele em Cães e Gatos

Sim, é verdade: os cães e gatos podem desenvolver câncer de pele por causa do excesso de sol!

Se o seu cão ou gato é branquinho, você precisa estar preparado para identificar as lesões iniciais do Carcinoma, sabendo como ocorre e por que, para poder proteger melhor e tentar prevenir que isso aconteça ao seu animal de estimação.

O câncer de pele dos cães e gatos é uma neoplasia muito invasiva localmente e por isso mesmo muito difícil de tratar. Por isso, informação e diagnóstico precoce fazem a diferença. Então continue lendo e aprenda mais sobre o assunto!

- Como são as lesões:
Carcinoma nasal em um gato.
Na maioria dos casos, as lesões iniciais de câncer de pele são brandas, apenas uma dermatite solar, com vermelhidão, descamação e crostas na superfície. Com o tempo, evoluem para lesões profundas, crostosas, ulceradas, frequentemente doloridas e sangrantes.

- Locais mais afetados do corpo:
Gatos: ponta das orelhas, nariz e face.
Cães: nariz e ventre.


- Porque os animais brancos são mais acometidos:
A melanina presente na pele dos animais de cor escura confere proteção à radiação ultravioleta emitida pelo sol. Pode-se dizer que quanto mais escura determinada região do corpo do animal, menores serão as suas chances de desenvolver um carcinoma nesse local.

- Como o câncer aparece:
As células do corpo dos animais estão em constante renovação durante a vida. Os raios ultravioleta do sol são capazes de alterar o DNA das células que estiverem em processo de multiplicação (mitose).
Sempre que há exposição prolongada ao sol no horário de dez da manhã às quatro da tarde, várias células da pele estão sendo alteradas pela radiação recebida. Por sorte, há mecanismos protetores, que identificam as alterações ou defeitos causados, corrigindo-os ou destruindo as células afetadas.
No entanto, se houver qualquer falha, as células que passaram por mutação continuarão produzindo células alteradas como elas, formando um aglomerado cada vez maior.

- Como prevenir o carcinoma:
Não há protocolo cem por cento eficaz, mas evitar exposição solar nas horas de maior incidência de radiação ultravioleta é o principal.
Boas dicas são o uso de roupinhas, cobrir o telhado do canil, evitar ficar na janela o dia todo, o uso de filtro solar e até tatuar as áreas despigmentadas para conferir maior proteção local.

- Como é o tratamento do câncer de pele:
Já existem várias modalidades terapêuticas para o carcinoma em Medicina Veterinária, incluindo a remoção cirúrgica de toda a lesão, juntamente com grande margem de tecido não afetado ao redor; a quimioterapia, a eletroquimioterapia, a radioterapia e a criocirurgia.

Citologia Aspirativa paras as lesões de pele.

A Citologia é muito útil em Dermatologia Veterinária, contribuindo para o diagnóstico de muitas doenças, principalmente as neoplasias ou tumores de pele.

É um procedimento praticamente indolor que consiste na observação das células retiradas por punção da lesão com uma agulha fina.

Não é necessário jejum, anestesia nem outro preparo especial para a sua realização, mas dependendo da localização da lesão (perto do olho, entre os dedos ou áreas de difícil acesso ou inflamadas), o animal poderá precisar de sedação leve para que permita a espetadinha sem se mexer.

O material recolhido durante a punção com a agulha é colocado numa lâmina própria e enviado ao médico veterinário especialista para que ele possa avaliar a presença de microrganismos potencialmente perigosos na amostra, além de identificar, nos casos de neoplasias, a origem das células presentes (se são de pele, de tecido muscular, glandular etc) e também o grau de diferenciação dessas células, ou seja, o quanto elas se parecem com as células originais.

A Citologia Aspirativa está indicada principalmente para as lesões nodulares que persistirem por mais de três meses na pele ou subcutâneo do cão ou gato e deve ser realizada por profissional habilitado.

A verruga é uma bruxa má!

Sabe aquela “verruguinha inocente” que o seu cão ou gato passa a ter depois de uma certa idade? A gente se acostuma com elas e vai se apegando. Tem gente que dá até nome...

Mas fique sabendo que elas são bruxas disfarçadas e de inocentes não têm nada! Uma verruga na verdade é um tumor de pele, que pode ser benigno ou maligno, de acordo com a sua capacidade de se espalhar pelo corpo do animal. Quanto mais tempo passarmos dizendo que os tumores cutâneos são verrugas inofensivas, mais estaremos encobrindo um problema que muitas vezes pode vir a causar sofrimento ao animal.

Para melhor entender o risco causado pela "pobrezinha da verruga que já está lá há tanto tempo sem incomodar ninguém", saiba que todo tumor, ou neoplasia, de pele é feito de células “defeituosas” que não param de se multiplicar como as células normais fazem. E com o passar do tempo, maiores as chances de uma ou mais dessas células defeituosas se soltar e resolver "passear" pelo corpo, fixando-se em outros locais que não a pele e causando as chamadas metástases, que tornam o tratamento muito mais complicado e às vezes até impossível.

Se você ainda não ficou assustado, meu objetivo ainda não foi cumprido e sugiro sinceramente que você continue lendo a respeito, até ficar ao menos preocupado o suficiente para procurar por esses nódulos de vez em quando em seu animal. Vale aproveitar o cafuné de todo dia, aquele carinho na barriga enquanto a gente assiste TV, ou aproveitar o momento do banho ou escovação para prestar atenção nessas alterações, que às vezes são bem pequenas, mas nem por isso menos perigosas. Cada centímetro de tumor possui em seu interior milhares de células!

Fique sempre atento e ao notar qualquer aumento de volume na pele do seu cão ou gato, que persista por mais de três meses, não deixe de avisar a um médico veterinário para que ele oriente a melhor estratégia de tratamento de acordo com o caso.


Se você se interessou por este assunto, leia também sobre criocirurgia e citologia aspirativa.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Micose 2

Para quem chegou agora e não leu os textos: Micose e Micose 1, vale a repetição da introdução do assunto nesse primeiro parágrafo. “De uma forma bem simplista, pode-se afirmar que: os fungos dos cães e gatos são organismos microscópicos com substâncias digestivas super potentes no seu interior; e que a gravidade das lesões causadas nos animais depende do grau de evolução desse fungo.

Isso mesmo, evolução! Desculpe-me a comparação, mas os fungos, assim como os seres humanos, têm evoluído ao longo do tempo. Assim, alguns deles são mais adaptados ao meio vegetal, enquanto outros já o são aos tecidos animais. “

Este texto fala do grupo de fungos que causa lesões superficiais na pele dos cães e gatos (e por vezes, também na de seus proprietários). Como qualquer fungo, suas enzimas digestivas são bem eficientes e felizmente não provocam grandes lesões porque estes são seres bem mais refinados na escala evolutiva, por assim dizer. 

São fungos “doutores”, especializados em digerir a proteína formadora da pele e dos pelos dos animais: a queratina. Tais elementos merecem o título de “mestres do disfarce” e conseguem enganar até os olhos mais experientes. 

Quer um exemplo? Sabe aquele seu gato tipo popular, social, que aceita conviver com outros gatos e até com cães? Ele costuma dar abrigo ao Microsporum sp, o “Rei dos Disfarces”. E isso explica por que, apesar de não ter sequer uma falhazinha no pelo, foi ele o culpado por disseminar a queda de pelo em quase todos os outros animais da casa, podendo ter causado lesões nas pessoas da família também.

Há quem jure que esse tipo de gato fica por trás do proprietário debochando dos companheiros “sem pelos” na hora do tratamento antifúngico, que em geral envolve banhos desagradáveis e intermináveis e comprimidos com gostos horríveis. 

Mas, calma! Ninguém conseguiu provar ainda que o gato tenha feito isso de propósito. Não sinta raiva dele! Ao contrário, procure dar-lhe o direito de provar sua inocência contratando um médico veterinário, que de posse de recursos adequados, poderá identificar o fungo “mal-elemento” e instalar uma “Unidade Pacificadora” na pele do seu gato, perpetuando a paz no ambiente familiar novamente.
 
Fique de olho nesses fungos especializados: eles causam problemas superficiais (como queda de pelo, caspa e outros crimes contra a vaidade) e a maioria não resiste a uma festinha: (brilham no escuro e esse é o seu principal ponto fraco). Então não estranhe quando o seu médico veterinário apagar as luzes do consultório e acender aquele “globo negro” em cima dos pelos do seu animal: a lâmpada de Wood é um bom aliado na identificação dos “meliantes disfarçados”.

(imagem: http://www.vetsilvestre.com.br/artigos/fungos%20de%20ferrets_arquivos/image004.jpg)
Apesar de menos letais, as lesões causadas pelos fungos dermatófitos são também motivo de preocupação, já que têm capacidade de infectar toda a família (pessoas e animais). Por isso, não interrompa os tratamentos prescritos pelo veterinário e saiba que eles serão demorados, mas eficazes na luta contra o crime, ou melhor, contra as micoses superficiais.

Micose 1

De uma forma bem simplista, pode-se afirmar que: os fungos dos cães e gatos são organismos microscópicos com substâncias digestivas super potentes no seu interior; e que a gravidade das lesões causadas nos animais depende do grau de evolução desse fungo. 

Isso mesmo, evolução! Desculpe-me a comparação, mas os fungos, assim como os seres humanos, têm evoluído ao longo do tempo. Assim, alguns deles são mais adaptados ao meio vegetal, enquanto outros já o são aos tecidos animais. 

O grupo de fungos adaptados às plantas é responsável pela decomposição da matéria vegetal do ambiente, sendo encontrados em abundância no solo e nas plantas do seu jardim de casa.
Quando se preocupar com eles? Se o seu cão ou gato têm acesso a locais com plantas, cuide para que eles não tenham lesões de pele e nem se espetem por lá! 

Veja por que: esses fungos são seres pacatos e tudo o que querem é comer e devolver alguns nutrientes ao solo. Eles decididamente não ficam no seu jardim à espreita de alguém que passe por lá, e por isso não desenvolveram a capacidade de penetrar na pele dos mamíferos por si só. 

Para causar lesões, eles precisam ser inoculados, precisam de alguma falha na barreira natural da pele (ferimentos de qualquer natureza). Nem mesmo ao serem sequestrados de seu ambiente natural, afastados de suas famílias de fungos, eles não atacam. Apenas fazem o que sabem fazer: comem o que está em volta.

O problema é que acontece com eles o mesmo que aconteceria com um ser humano que comeu brócolis a vida toda e de repente foi sequestrado e deixado preso no cativeiro numa cozinha do Mac Donald’s. Não imaginou o que acontece? Eu explico: os fungos acabam adorando e se multiplicando como loucos na pele animal. E pobrezinhas das células da pele que entrarem em contato com todas aquelas enzimas digestivas feitas para detonar a dura carapaça vegetal! É uma briga boa: chegam os glóbulos brancos de defesa do corpo e o combate é feroz, mas covarde! 

As lesões em geral são profundas e extensas, doloridas e inflamadas e sem a ajuda da “cavalaria” (potentes medicamentos por longos períodos de tempo), as células de defesa vão sendo massacradas uma a uma. (Foto gentilmente cedida pelo Dr. Paulo Diniz).

Esse texto refere-se a enfermidades cutâneas como a Esporotricose, muito comum no Rio de Janeiro e locais de clima semelhantemente quente. E tem como principal objetivo alertar de forma bem-humorada a você, proprietário de cão ou gato, dos riscos de contrair uma infecção dessa ao encostar na ferida do seu animal, ou ao tentar fazer um curativo em um animal de rua, com procedência desconhecida.

Algumas micoses profundas são zoonoses, ou seja, podem passar do cão ou gato para os seres humanos também. É um risco enorme negligenciar o tratamento de uma enfermidade assim, e é também  preocupante a exposição  a plantas com espinhos - ainda que sejam do jardim da sua casa e, por isso, parte da família porque foi você quem as plantou e regou e viu crescer...

Jamais interrompa o tratamento de uma micose profunda como essa e siga todas as orientações do seu médico veterinário! Do contrário, comece a ensinar karatê para as suas células de defesa!

Você acha que seu cão ou gato tem sarna?

Então saiba mais sobre o assunto! Você sabe o que é uma sarna? De onde ela vem e o que ela faz na pele?

Sempre que seu médico veterinário suspeitar que a lesão de pele do seu animal é causada por sarna, ele pedirá a você que autorize um RCPA (raspado cutâneo para pesquisa de ácaros). Ele faz isso porque a sarna é um ácaro. Mas você ainda lembra das aulas de biologia da escola e sabe dizer o que é isso? Se lembrou, merece os parabéns! A maioria dos adultos normais já esqueceu que o ácaro que vive nos nossos colchões e travesseiros, os carrapatos e as sarnas são da mesma família das aranhas: são todos ácaros e – não que alguém vá contar uma por uma – têm oito patas.
Agora, exatamente como nas aulas do colegial, você deve estar se perguntando de que serve saber disso. Seu cão e gato precisam que você entenda o que se passa na pele deles para saber quando procurar ajuda e como resolver um problema tão desconfortável como esse.
Se você soubesse antes que as pulgas não são ácaros, mas insetos, não teria comprado o xampu parasiticida que funcionou tão bem no Poodle do vizinho, mas não valeu de nada nas lesões causadas por sarna do seu animal, pois saberia que nem sempre os produtos que matam insetos funcionam contra ácaros.

A sarna, como todos os ácaros, não voa - apesar de aquele seu vizinho teimar em dizer isso a todos com quem encontra. Você deve se preocupar com dois tipos de sarna: as superficiais e as mais profundas na pele.

As que preferem a parte mais superficial da pele escavam túneis um pouco mais internos, onde deixam seus ovos mais protegidos. São contagiosas entre os animais e até para os seres humanos. Esse contágio ocorre por contato direto ou por objetos de uso comum, como roupas, cama, assentos, escovas, coleiras e toalhas de banho. E é com isso que se deve tomar cuidado quando se fala em prevenção de sarnas. Por viverem na superfície, são mais frágeis aos diversos tipos de tratamento, que costuma ser curto e simples, comparando-se com os outros tipos de sarna: as que vivem no folículo piloso.
(Ao lado, imagem da sarna superficial: Sarcoptes sp, gentimente cedida pelo  Dr. Paulo Diniz) .                                 
                                                                                                       

O folículo do pelo fica na parte interna da pele e é responsável pela pelagem do animal. As sarnas que vivem dentro de alguns folículos não são contagiosas, uma vez que todo animal já tem as suas desde o nascimento. Sabe-se que essas sarnas só causam lesão de pele aparente quando associada a outro fator concomitante, como a queda da imunidade, a má formação da pele ou a seborréia, que permitem a entrada das sarnas para muitos folículos pilosos. No entanto, são lesões mais difíceis de tratar e requerem longos períodos de controle, podendo reaparecer com frequência, dependendo do fator facilitador. A prevenção nesses casos não depende de evitar o contato com outros animais ou com esse ou aquele objeto, mas sim, de um adequado diagnóstico da causa da fragilidade da pele.
(Ao lado, imagem da sarna de folículo piloso: Demodex sp, gentimente cedida pelo  Dr. Paulo Diniz) .

Agora teste se você realmente entendeu o que leu acima. Dois animais vivem no mesmo ambiente e estão com coceira e queda de pelo. O veterinário que examinou, prescreveu tratamento para sarna. De qual sarna você acha que o veterinário suspeitou? Você acha que deve trocar as roupas, a cama e os objetos desses animais?
Se você respondeu que se tratava das sarnas superficiais porque são contagiosas entre os animais, e que por isso precisará sim trocar os objetos, passe para o próximo texto ou vá ao cinema curtir. Se você errou, vá ao cinema também, relaxe um pouco que ninguém é de ferro, e quando estiver mais relaxado leia novamente.

Nem tudo o que reluz é ouro... e nem toda falha no pelo é micose!

Se o seu cão ou gato tem falhas na pelagem e o chão da sua casa vive cheio de pelos, é possível que isso seja uma micose (doença de pele causada por fungos). Mas também é possível que isso seja uma infinidade de outras coisas, como sarna, infecção de pele por bactérias (piodermite ou foliculite), picada de insetos, problemas nutricionais (por má alimentação, digestão ou absorção), por exemplo.

O ideal nesses casos é deixar o animal sem medicações (nem oral, nem xampu, loção, pomada, nada) por alguns dias e marcar uma avaliação com um médico veterinário. O uso de medicações pode mascarar o exame da pele e dificultar a resolução do problema, acarretando em mais gasto para o proprietário.

Mesmo para alguém bastante treinado, as lesões de pele na sua maioria são fotograficamente iguais, isto é, seja causada por fungo, bactéria, sarna, alergia ou todas juntas, a falha na pelagem ainda parece a mesma a olho nu. Seu veterinário vai precisar de exames microscópicos (como a citologia, a cultura para fungos, o raspado cutâneo para pesquisa de ácaros e até a histopatologia) para avaliar melhor a causa do problema e aí sim poder ajudá-lo com a prescrição adequada. E é por esse motivo que você deve levar seu animal de banho tomado há pelo menos cinco dias e sem medicações ao consultório.

Então, se você se incomodou com a queda de pelo do seu animal, pense duas vezes antes de ir usando um produto antifúngico sem orientação. Concentre-se em descobrir a causa do problema e poupe seu orçamento e seu tempo. Seu cão e gato agradecem!

domingo, 14 de março de 2010

Atopia – como tratar?

Uma vez entendido que não há tratamento perfeito ou “receita de bolo” a se seguir, pode-se afirmar que o tratamento da Atopia consiste em determinar o conjunto de medicações – note bem o plural: medicações – que conseguem juntas estabilizar as crises de prurido e lesões de pele.
Cada animal tem seu nível de ressecamento da pele, seu grau de sensibilidade à dor e suas próprias tendências genéticas a complicações. Assim, na maioria das vezes, o controle do excesso de prurido só é alcançado após árduo caminho de tentativas terapêuticas e isso pode gerar frustração e ansiedade, podendo até levar à interrupção do tratamento com piora do quadro clínico. Não permita que isso aconteça com você. Leia, informe-se e lembre-se de que seu animal apresenta uma condição incurável e depende muito da sua dedicação para conseguir estabilizar os sintomas e viver melhor.

O que fazer para saber se meu animal é atópico?

Você já deve ter lido aqui que Atopia é uma doença alérgica incurável, de caráter genético e hereditário e também de difícil controle. E agora você vai descobrir que, como se não bastasse isso tudo, ainda é difícil de ser identificada (ou, como os médicos dizem: diagnosticada).
Sabe por que é difícil? Compare com outras patologias: o diagnóstico de muitas delas é feito considerando-se o conjunto de informações formado pela:
 - identificação e histórico do paciente (idade, raça, onde mora, com quem mora, doenças e tratamentos anteriores e outros dados fornecidos pelo proprietário);
- pelo exame físico do paciente; e
- por exames complementares (ex.: RX e ultrassonografia, entre muitos outros).
Assim, alguns diagnósticos são bem simples de serem feitos, dependendo apenas de um ou outro componente, enquanto outros requerem um esforço um pouco maior. No caso da Atopia, não há ainda exame específico para determinar se o animal é ou não atópico! E nesses casos, utiliza-se o método do “Diagnóstico por Exclusão”, que como o nome sugere, consiste em provar a existência de uma condição depois de excluir todas as outras patologias possíveis.
O diagnóstico dessa alergia é feito em algumas semanas, como num jogo de estratégia, em que médico veterinário e proprietário agem como detetives, juntando as pistas da pele com sua resposta aos tratamentos feitos.
Você queria uma resposta simples? Nós, médicos veterinários, também! Mas, o diagnóstico da Atopia depende da boa identificação e histórico, de um exame físico detalhado, de muitos exames complementares, nem sempre de baixo custo, e, principalmente, de disciplina ao seguir os prazos de retorno e as orientações, além de muita confiança e cooperação entre o médico veterinário e você, responsável pelo animal.

Uma coceirinha à toa...

Agora que você já sabe avaliar se seu cão ou gato se coça, saiba o que acontece quando ele esfrega a pele por aí.
Lembra como é a pele por dentro? Olhe a figura abaixo:


O autotraumatismo gerado pela dor/coceira fere a pele e facilita a inoculação de microrganismos das unhas, da boca, da pele e do ambiente em áreas mais profundas e vulneráveis da pele, causando uma grande reação do organismo em resposta à essa agressão.
É a inflamação do interior da pele que causa a vermelhidão da superfície.
E com o tempo, podem surgir também manchas escuras (hiperpigmentação), aumento da espessura da pele e da atividade das glândulas sebáceas, deixando a pele engordurada e com odor forte.
RecadoAmigo - Imagens para seus recados!
O excesso de gordura na superfície cutânea serve como substrato (“banquete”) para mais microrganismos, que crescem em quantidades astronômicas e aumentam a coceira no local, fechando um ciclo: coceira-> inflamação -> coceira.




Meu animal se coça?


Imagine um cão ou gato se coçando. Imaginou ele sentadinho, com a pata traseira se mexendo? No “manual  deles, esse provavelmente seria o jeito tradicional de se coçar. Foi assim que seu cão ou gato aprendeu com a mãe. Mas há muitas formas de se coçar! Já pensou se seu animal é criativo? Quem sabe ele não gosta do jeito tradicional?
Saiba que o prurido (ou coceira) faz com que o cão ou gato apresente com frequência alguns dos comportamentos abaixo, dentre outros:
- esfregar o corpo nas coisas (paredes e muros, móveis, tapetes etc),
- lamber, morder ou mordiscar partes do corpo (geralmente as patas),
- sacodir a cabeça.
Se um médico veterinário precisar saber se seu animal se coça, você já sabe o que responder?

Alergia dói?

 Observe na ilustração abaixo a quantidade de sensores presentes na pele.



As fibras nervosas (nociceptoras) responsáveis por informar estímulos de dor ao cérebro são as mesmas que transmitem os estímulos de prurido. É por isso que há quem classifique a coceira como um tipo de dor de baixa intensidade. E é também por esse motivo que em caso de dor aguda (por corte, fratura etc) o atópico não sente coceira.
Pesquisas demonstram que o atópico apresenta maior sensibilidade cutânea, devido a alterações na estruturação das fibras nervosas da pele (podem estar em maior quantidade e mais próximas à superfície). A pele do atópico, então, não precisa de “motivos” para doer (entenda-se: coçar). Ela é capaz de doer (ou incomodar) por si só, sem necessariamente ter sido “atacada” ou “ invadida” por microrganismos, alérgenos ou irritantes.
A coceira (ou prurido) é um tipo de dor e merece todo o controle para não reduzir a qualidade de vida do seu animal.